ULVER - Magic Hollow

[postlink]http://rocknrollpost.blogspot.com/2012/05/ulver-magic-hollow.html[/postlink]http://www.youtube.com/watch?v=8MUzBJRWB64endofvid[starttext]Ulver significa “lobos”, no idioma norueguês. E esse nome soa bastante apropriado quando observamos a criatividade selvagem desta banda que se renova a cada trabalho, desafiando-nos a abandonar qualquer segurança para segui-la por trilhas novas e escuras…

O Lobo e o Diabo
Em 1992, ápice da explosão da Inner Circle of Black Metal, o jovem Kristoffer Garm Rygg, então com 15 anos, inicia a banda que rapidamente assumiria sua posição de destaque entre as pioneiras do estilo. Em 1993, gravam a aclamada demo Vargnatt e, finalmente, Bergtatt (1995), um álbum de intensa originalidade, contrastado-se com o cliché destilado na época por bandas como Burzum, Emperor ou Darkthrone, que ainda lançava seu Transilvaninan Hunger, hoje considerado um clássico do black metal cru. Bergtatt mostra uma grande influência do Bathory, e mescla magistralmente seu peso com passagens acústicas, como na faixa “Een Stemme Locker”, que já apontava a direção do álbum seguinte…

Kveldsjanger é lançado em 1996, e aqui o Ulver começa a desnortear seus seguidores. Após seu aclamado debut, a banda parte para um álbum completamente acústico, composto de cordas e um coral de vozes. A mudança inesperada dividiu opiniões, e mais tarde esta seria percebida como uma particularidade da banda. Nenhum disco repete o anterior.

No ano seguinte, o Ulver surpreende novamente, lançando Nattens Madrigal, um dos álbuns mais secos e violentos da história do black metal. Diz a lenda que o disco foi gravado dentro de uma floresta norueguesa, o que não é de se duvidar e talvez justifique a baixa qualidade da gravação. Seria então uma espécie de piada sobre a rigidez típica do black-metal? Não existem meios seguros de se obter uma resposta, mas o fato é que, brincadeira ou não, o disco entrou para a história. Segundo a banda, esta agressão sonora se justifica como consequência de seu lirismo quintessencial - vale notar que a questão da licantropia aqui também é extremada. Cada uma das oito faixas leva um título como “Wolf and fear”, “Wolf and devil”, “Wolf and passion”…

No ano de 1998, esses três trabalhos são reunidos, em luxuosas versões Picture LP, na caixa The Trilogie, que fecha definitivamente a primeira fase da banda.


Metamorfose

Após a prisão de Varg Vikerness (Burzum), o cenário black metal sofre profundas mudanças na Noruega. Neste momento, Garm desfruta de um status de semi-deus dentro da cena, visto o sucesso de suas bandas Ulver e Arcturus, além de passagens importantissimas em bandas como Emperor, Borknagar e Dimmu Borgir. Seu peculiar vocal passa a ser largamente imitado, assimilado como parte do estilo viking/black-metal.

Apesar da confortável situação, Garm deixa evidente que o black-metal não lhe oferece mais desafios. No mesmo ano do Nattens Madrigal (1997), ele extrapola as barreiras do estilo com sua banda Arcturus, no polêmico La Masquerade Infernale. Trata-se do mais revolucionário álbum lançado por uma banda de black-metal, porém, não mais caberia no rótulo.

Com a febre Inner Circle já em baixa, transparece o sinal dos tempos. Muitas outras bandas começam a expandir seus horizontes, com o Ulver mantendo-se sempre alguns passos a frente. Neste ponto, a atitude descompromissada e enigmatica da banda já a tornara cult, e não se poderia prever o que viria a seguir…

Em 1999, é lançado o épico duplo Themes from William Blake’s The Marriage of Heaven and Hell, um recital do livro onde Blake evoca o poder da imaginação contra as restrições da condição humana. Musicalmente falando, trata-se de um estranho híbrido de rock industrial, metal, jazz e música ambiente, que afastou de vez uma boa parte dos puristas do estilo black-metal, ao mesmo tempo em que levou a música do Ulver a diversos outros segmentos, trazendo o interesse de renomados produtores, pedidos de remixes e convites para diversos projetos multimídias. O diretor de cinema Harmony Korine (Gummon, Kids) comentou, a respeito deste álbum, que “há uma evolução linear entre um compositor como Wagner e a música de uma banda como o Ulver”.

Ainda em 1999, o Arcturus lança Disguised Masters (& the Deception Circus), que nada mais é senão o pecado capital para uma banda do genero: um álbum de remixes. Este tiro de misericórdia nos fãs radicais marca também o fim do Arcturus. A partir dai, Garm decide se dedicar exclusivamente ao Ulver.

No ano seguinte, o lançamento do EP Metamorphosis transmite toda a combustão deste período. Seu encarte traz o curioso recado;

O ULVER obviamente não é uma banda de black metal nem deseja ser estigmatizada como tal. Orgulhamo-nos de nossos instintos anteriores, mas desejamos comparar nossa relação com o gênero citado àquela existente entre a serpente e Eva: apenas um incentivo para futuras travessuras.

Apesar de segura sobre oque não deseja ser, a banda parece em busca de sua identidade. A faixa “Limbo Central” antecipa o trip-hop urbano do próximo álbum, “Gnosis” resgata a experimentação do anterior, e as faixas “Of Wolves and Withdrama” e “Of Wolves and Vibrancy”, que pelo nome parecem tiradas do Nattens Madrigal, transitam entre música ambiente e techno.


O Lobo e o Silêncio

”Há tempos somos fascinados pelo problema do silêncio no som. Até onde sei, a comunicação é atrelada à conotação. Assim como determinados lingüistas trabalham de encontro aos sinais comuns do texto como línguagem, nossa intenção é levar o som para lugares nunca ouvidos antes”
Garm para a revista Kerrang!


A ruptura acontece com o quinto álbum, em 2001. Perdition City traz um Ulver moderno e sofisticado, descendo ainda mais fundo na contemplação da beleza e da decadência. Soando quase como uma versão cínica de bandas como The Future Sound of London, o disco cativa com sua estética madura e tremenda capacidade de evocar imagens urbanas, melancólicas, familiares. Não por acaso, o disco leva o subtítulo Music for an interior film.

Logo após o Perdition City, temos o lançamento quase simultâneo de dois EPs destinados a colecionadores, chamados Silencing the Singing - com três longas faixas de material retirado da gaveta - e Silence Teachs you How to Sing - com uma única faixa de 24 minutos. Ambos trabalham com texturas eletrônicas, suaves e hipnóticas, numa proposta explícita de se expressar através do silêncio. Por mais bizarro que pareçam, a tiragem de cinco mil cópias destes dois EPs se esgotou como num sopro, comprovando a extrema liberdade criativa alcançada pelo Ulver junto aos fãs mais fiéis.

Em 2002, a gravadora americana Black Apple compilou os dois EPs num único disco chamado Teachings in Silence, relançada em nova tiragem limitada em apenas mil cópias. Mesmo julgada por muitos como um desperdício de plástico e alumínio, não faltaram pessoas dispostas a aprender com estes preciosos ensinamentos.


O Lobo e o Destino

”Eu concordo que nós somos talvez mais pintores que músicos. Existem meios de pintar ou projetar a música ao invés de simplesmente tocá-la. Você tem uma visão, e então você usa o que for necessário para realizar essa visão, dar-lhe vida. Assim, o resultado é uma forma muito visual de música.”
Entrevista para a Moondance, 1999


Talvez a única constante durante o trajeto do Ulver, seja a propriedade visual de sua música, sua capacidade de inspirar imagens. Sendo assim, ela parece chegar ao seu destino quando encontra o cinema. Isso ocorre em 2002, com Lyckantropen Themes, trilha sonora para um média-metragem Sueco. O DVD do filme, um minimalista suspense sobre lobisomens, inclui uma entrevista de 20 minutos com a banda, que discute todo o material já lançado, além de comentar sobre um futuro álbum, possivelmente entitulado Utopian Enterprises.

Só para ninguém dizer que eu esqueci, em 2002 ocorre também um inesperado retorno do Arcturus, com o álbum The Sham Mirrors. Ainda que este seja uma mera sombra perto do La Masquerade Infernale, marca um breve retorno de Garm ao estilo, ao lado de outras “estrelas” como Hellhammer, Sverd e Ihsahn. Acompanhando a volta da banda, vemos também sua fase black-metal - Aspera Hiems Symphonia, Constellation, My Angel - reeditada em CD duplo.

Em 2003, o Ulver compõe uma nova trilha, desta vez para o filme Norueguês Svidd Neger. Novamente incomparável ao material anterior, esta trilha é prova de que eles definitivamente sabem o que estão fazendo e provavelmente seguirão por este caminho. O site do filme oferece diversos trechos de som, ideais para quem deseja conhecer a banda. Na seqüência, temos o inesperado EP A Quick Fix of Melancholy, com quatro suaves relíquias para os admiradores da banda. Destaque maior para o remix da música “Nattleite”, do álbum acústico Kveldssanger, aqui transportada para um mundo multidimensional e mecânico.

Os 10 anos de atividades da banda são então celebrados com o lançamento de 1993-2003: 1st Decade In The Machines. Encontrando certa dificuldade para selecionar um “best of” coerente dentre sua volátil discografia, a banda optou por convidar renomados doutores do áudio para operar em seu catálogo, como Matt Elliott, que aparece aqui sob o apelido The Third Eye Foundation pela última vez.

O resultado passa longe de ser um tributo, ou um ordinário álbum de remixes. O que temos são oitenta minutos de sonho e pesadelo, por vezes simultâneos. A agressividade de freqüências e ruídos em alguns momentos beira o insuportável, enquanto a épica “I Love You, But I Prefer Trondheim” oferece um longo mergulho em étereas texturas de som. A variedade e qualidade das faixas e artistas aqui presentes comprova o grande impacto do Ulver, no metal, e na música de amanhã…
fonte:last fm

Do Black Metal há Pink Floyd, este é o Ulver outra banda da crescente e grande cena do Pós Progressivo, estilo que em globa todos os subestilos do Rock Progressivo.

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3 comentários:

Debora Bynha disse...

muito bom esse post. adorei..

Guilherme Augusto disse...

Nos últimos dias está tendo bastante lançamentos... o novo do Slash, Marilyn e o que estou mais ouvindo Tenacious D. O novo álbum deles está muito bom. :)

Guru do Metal disse...

não curto rock comédia e ainda to pensando se coloco eles por aqui

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